A neurocientista Suzana Herculano-Houzel participou nesta quinta-feira (14) do São Paulo Innovation Week para discutir como a inteligência humana depende da flexibilidade comportamental e da experiência, e alertou para os riscos da automação que pode reduzir essas oportunidades.
Suzana Herculano-Houzel destacou que ninguém nasce intelectualmente pronto, diferenciando capacidade de habilidade, que exige tempo, repetição e oportunidade. Ela defendeu que a escola deve ser um espaço sistematizado para transformar informação em conhecimento.
A cientista criticou a passividade causada pela automação e a terceirização das decisões para a inteligência artificial, afirmando que isso pode sabotar o desenvolvimento das habilidades humanas. “O uso mais inteligente da nossa inteligência é não sabotar nossas habilidades pela terceirização e automação que nos roubam oportunidades”, disse.
Ela explicou que o cérebro humano possui cerca de 86 bilhões de neurônios, com 16 bilhões no córtex, o dobro dos gorilas, e que a inteligência está relacionada à flexibilidade comportamental, ou seja, a capacidade de agir de formas diferentes diante de novos cenários. “Inteligência é flexibilidade comportamental”, afirmou.
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, ocorre entre 13 e 15 de maio no Pacaembu e na Faap, reunindo mais de 2 mil palestrantes de diversas áreas, incluindo ciência, saúde, educação e tecnologia.

