O Novo Desenrola Brasil, instituído pela Medida Provisória nº 1.355/2026 às vésperas da eleição presidencial, pode perpetuar o ciclo de inadimplência ao oferecer descontos agressivos e garantias do Tesouro para renegociação de dívidas, segundo análise do Livres.
O programa oferece descontos e garantias estatais para renegociar dívidas, mas pode incentivar a inadimplência ao sinalizar que devedores podem esperar novos perdões em ciclos políticos futuros. A experiência da edição anterior do Desenrola indica que o endividamento líquido tende a aumentar, sem resolver a incapacidade estrutural de planejamento financeiro das famílias.
O número de tomadores de crédito no Brasil cresceu de 65,8 milhões em 2020 para 93,6 milhões em 2024, impulsionado pela digitalização bancária e popularização do Pix. No entanto, esse aumento não foi acompanhado por reforço em educação e governança financeira, o que torna a reativação do programa arriscada.
A definição dos descontos pode favorecer instituições financeiras que buscam recuperar créditos podres com garantia estatal do Fundo Garantidor, sem planejamento fiscal rigoroso. A Medida Provisória altera o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional por prazo indeterminado sem articulação com o Banco Central e o Tesouro Nacional.
O Livres recomenda fortalecer a educação financeira, coordenar ações com órgãos técnicos, revisar a política fiscal e avaliar o custo-benefício das renegociações custeadas com recursos públicos para enfrentar o endividamento familiar de forma sustentável.


