Kevin Warsh assume a presidência do Federal Reserve nesta sexta-feira (22) com a expectativa de manter juros elevados para controlar a inflação nos Estados Unidos, segundo o economista César Bergo. A postura rígida deve fortalecer o dólar e pressionar mercados emergentes, dificultando cortes de juros no Brasil.
A troca de comando no Federal Reserve ocorre em um momento de inflação persistente nos Estados Unidos e agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo, afirmou que Warsh deve adotar uma política monetária mais firme, mantendo juros elevados por mais tempo para combater a inflação.
Bergo destacou que o cenário internacional, especialmente o conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, dificulta qualquer flexibilização monetária. A valorização do dólar decorrente dessa postura pode gerar desvalorização das bolsas globais, principalmente em economias emergentes.
O novo presidente do Fed, que já integrou a instituição durante a crise financeira de 2008, deve preservar a independência do banco central apesar das pressões políticas da Casa Branca. Seu estilo de comunicação deve ser mais discreto que o de seu antecessor, Jerome Powell.
No Brasil, juros elevados nos EUA pressionam o fluxo de capitais e dificultam cortes na taxa Selic pelo Banco Central. A persistência das tensões no Oriente Médio e a pressão inflacionária sobre o petróleo reforçam a necessidade de cautela do Fed nos próximos meses.


