Uma onda de calor precoce atingiu a Europa Ocidental nesta semana, levando o chefe climático da ONU, Simon Stiell, a classificá-la como “um lembrete brutal dos impactos crescentes da crise climática”. França e Reino Unido registraram os dias mais quentes já observados no mês de maio, com temperaturas superiores a 35°C. Ao menos 11 mortes foram atribuídas ao calor.
Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança Climática, afirmou em nota que a queima de combustíveis fósseis é a principal causa das ondas de calor extremas. “A ciência é clara ao mostrar que as mudanças climáticas causadas pela ação humana estão tornando essas ondas de calor mais frequentes e extremas”, disse.
Na França, o serviço meteorológico Météo-France informou que uma “cúpula de calor” elevou as temperaturas entre 10°C e 13°C acima do normal para maio. Treze departamentos foram colocados em alerta laranja. O índice térmico médio nacional atingiu 24,9°C na terça-feira, novo recorde. As autoridades relataram sete mortes, incluindo cinco afogamentos.
No Reino Unido, o Met Office registrou 35,1°C em Kew Gardens, Londres, superando o recorde anterior de 34,8°C. Uma “noite tropical” na Cornualha manteve a temperatura mínima acima de 21,4°C. Quatro adolescentes morreram afogados desde domingo. Na Espanha, a Aemet emitiu alerta laranja para o País Basco, com previsão de até 40°C, e afirmou que o calor é “mais característico da canícula”.
O diretor de pesquisa climática da Universidade Maynooth, Peter Thorne, classificou os recordes como “absurdamente impressionantes” e afirmou que eventos como este se tornaram mais prováveis e severos devido às emissões de gases de efeito estufa.


