A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram nesta quarta-feira (27) uma nova fase da operação que apura descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas. Foram apreendidos R$ 287 mil escondidos em sacolas plásticas na casa de um funcionário do INSS, além de dez carros de luxo e 22 celulares.
A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. A investigação está dividida em três núcleos, um deles em Garanhuns (PE), que envolve servidores e ex-servidores do INSS. Segundo as investigações, um ex-diretor e ex-superintendente da autarquia seria ligado a uma entidade que teria recebido mais de R$ 70 milhões em descontos ilegais em 2024. Ao menos R$ 24 milhões foram repassados para empresas de um homem apontado como um dos principais operadores do esquema, preso desde setembro de 2025.
Em São Paulo, os mandados foram cumpridos em quatro entidades associativas. Em Brasília, os alvos foram dirigentes de duas associações. A investigação apura o papel dos dirigentes — conhecidos como ‘golden boys’ — nos descontos ilegais. Também foi identificada venda acelerada de imóveis de luxo a preços abaixo de mercado para ocultar o dinheiro desviado. A PF suspeita que o grupo desviou mais de R$ 700 milhões. Desde 2025, a PF e a CGU apuram a fraude bilionária, que soma mais de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.
A defesa do ex-diretor do INSS afirmou que só vai se manifestar após ter acesso ao processo. A imprensa não conseguiu contato com as defesas dos outros investigados nem com as associações citadas.


