Cerca de 27,7 milhões de toneladas de poeira do Deserto do Saara atravessam o Oceano Atlântico e chegam à Floresta Amazônica todos os anos, repassando cerca de 22 mil toneladas de fósforo, nutriente essencial para o crescimento das plantas, segundo estudo da Universidade de Maryland e da NASA.
A Floresta Amazônica depende da poeira africana para repor nutrientes perdidos pelas chuvas frequentes, que retiram fósforo do solo. Cerca de 90% dos solos da região são deficientes nesse elemento, fundamental para a fotossíntese e o desenvolvimento das plantas.
Entre 180 milhões e 200 milhões de toneladas de poeira deixam o Saara anualmente, com parte significativa chegando à Amazônia e ao Caribe. O estudo utilizou dados do satélite CALIPSO entre 2007 e 2013 para acompanhar o trajeto dessas partículas.
Parte da poeira tem origem em restos fossilizados de organismos aquáticos de antigos lagos no Saara, especialmente da Depressão de Bodélé, no Chade. Pesquisas recentes indicam que outra fonte importante é a região de El Djouf, no norte da África.
Os cientistas afirmam haver consenso sobre a importância da poeira africana para a manutenção da fertilidade e sustentabilidade da Floresta Amazônica.


