Um estudo publicado na revista Earth’s Future alerta que a poluição causada por satélites queimando na atmosfera já diminui a luz solar que chega à Terra e pode alterar o clima global até 2029, caso o crescimento da indústria espacial continue.
A pesquisa liderada pela professora Eloise Marais, da University College London, compara a poluição da indústria espacial a um experimento não regulamentado de geoengenharia em pequena escala, com riscos ambientais graves. O aumento acelerado de lançamentos, impulsionado por megaconstelacões como a Starlink, da SpaceX, e planos da Blue Origin, intensifica o problema.
Satélites são projetados para desorbitar e queimar na atmosfera após alguns anos, liberando metais como chumbo e alumínio, que podem afetar a camada de ozônio. Em 2020, esses satélites representaram 25% do impacto climático da indústria espacial, podendo chegar a 42% em 2029. Os poluentes acumulados podem causar efeitos semelhantes a estratégias de geoengenharia solar, como a injeção de aerossóis.
Além disso, lançamentos de foguetes emitem cerca de 870 toneladas métricas de fuligem anualmente até 2029, equivalente às emissões de carros de passeio no Reino Unido. A fuligem permanece anos na atmosfera superior, agravando o impacto ambiental.
Marais alerta para a necessidade de regulamentação urgente da poluição atmosférica causada pela indústria espacial, antes que o problema se torne irreversível.


