O imposto predial nos Estados Unidos está subindo, apesar da queda de 6% nos preços medianos de venda de imóveis no último ano. A avaliação fiscal usada pelas prefeituras não acompanha a desvalorização do mercado, criando uma conta extra para os proprietários, segundo análises de especialistas.
A principal razão é o ciclo de avaliação em massa usado pelos condados, que se baseia em dados de vendas defasados de 12 a 24 meses. Quando os preços caem, os avaliadores ainda usam valores de pico. Além disso, os orçamentos municipais são indexados à inflação — o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) passou de 321 para 332 em um ano —, e as alíquotas (mill levies) podem subir para manter a arrecadação, mesmo com imóveis valendo menos.
O custo é concreto: uma queda de US$ 40 mil no valor de mercado de uma casa avaliada em US$ 500 mil, com taxa efetiva de 1,1%, gera um gasto extra de centenas de dólares por ano. A situação é agravada pelas taxas de hipoteca acima de 5%, que reduzem o poder de compra e empurram os preços para baixo, enquanto as avaliações fiscais permanecem estáveis.
Em estados com limites de reavaliação, como Califórnia (aumento máximo de 2% ao ano) e Flórida (3% para residência principal), o impacto é menor. Já em locais sem teto, como Texas, Illinois e Nova Jersey, a única saída é recorrer administrativamente. Especialistas recomendam comparar o valor avaliado com vendas recentes de imóveis similares em um raio de 800 metros e protocolar o recurso no prazo legal, de 30 a 60 dias após o recebimento do aviso.


