Um estudo internacional com mais de 14 mil pessoas em 12 países, incluindo o Brasil, revela que as preferências do público sobre salvar vidas em saúde não seguem estritamente a lógica de maximizar anos de vida. Ao escolher entre vacinar uma pessoa de 55 anos ou várias de 75, a maioria optou pela mais jovem, mas a disposição de trocar vidas foi menor do que o previsto por modelos baseados em QALY.
O experimento, conduzido durante a pandemia de Covid-19, apresentou cenários hipotéticos de vacinação. Os participantes podiam escolher entre salvar uma pessoa de 55 anos (com cerca de 30 anos de vida restantes) ou uma ou mais pessoas de 75 anos (com cerca de dez anos restantes cada). Cerca de dois terços preferiram vacinar o indivíduo mais jovem. No entanto, em média, as pessoas estavam dispostas a sacrificar aproximadamente 2,5 vidas de idosos para salvar uma vida mais jovem, valor inferior à proporção de 3 para 1 que seria esperada se a maximização de anos de vida fosse o único critério.
O status de emprego também influenciou fortemente as decisões. Quando a pessoa de 55 anos estava trabalhando e a de 75 anos não, os participantes estavam dispostos a sacrificar mais de três idosos para salvar o trabalhador mais jovem. Quando a situação se invertia, muitos preferiam salvar o idoso que trabalhava. Segundo os pesquisadores, isso indica que o público considera fatores sociais mais amplos, como contribuição e justiça, além da expectativa de vida.
O estudo, que envolveu países como Reino Unido, Estados Unidos, China e Uganda, questiona o uso exclusivo do conceito de ‘ano de vida ajustado pela qualidade’ (QALY) em decisões de financiamento em saúde. As preferências do público ficam em um ponto intermediário entre tratar todas as vidas como iguais e maximizar o total de anos de vida, sugerendo a necessidade de incorporar valores sociais mais amplos nas políticas de saúde.


