A prévia da inflação de maio reforça a incerteza sobre a política monetária e reduz o espaço para cortes mais agressivos na taxa de juros, segundo o especialista em mercado financeiro da ESPM, Hudson Bessa. Em entrevista a veículos de comunicação, ele afirmou que a hipótese de a Selic chegar a 12% no fim do ano não existe mais devido a pressões de alimentos, conflitos no Oriente Médio e incertezas fiscais e climáticas.
Bessa destacou que os alimentos seguem como principal foco de pressão inflacionária desde a pandemia, agravado por problemas nas cadeias globais e efeitos climáticos. Ele observou que medidas do governo ajudaram a conter a inflação decorrente da guerra do Irã, mas a energia elétrica voltou a pressionar os índices com a bandeira tarifária amarela.
O economista afirmou que o mercado está dividido sobre os próximos passos do Banco Central, mas considera improvável um novo ciclo de alta de juros no curto prazo. Ele alertou que empresas brasileiras já sofrem com a taxa real elevada, evidenciado pelo avanço de pedidos de recuperação judicial.
Bessa também demonstrou preocupação com o cenário fiscal em ano eleitoral, citando um pacote de bondades do governo que amplia as dificuldades do BC. Para ele, a volatilidade deve permanecer alta nos próximos meses. O especialista projeta que o Copom ainda pode cortar a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, adotando uma postura cautelosa.


