A República Democrática do Congo enfrenta o 17º surto de ebola desde 1976, com a variante Bundibugyo, que pode causar até 40% de letalidade. O surto ocorre em meio a conflitos armados e pobreza extrema, dificultando o controle da doença e o acesso à saúde, segundo especialistas e a Organização Mundial da Saúde.
O vírus ebola é transmitido pelo contato com fluidos corporais, como sangue e saliva, e pode causar hemorragias internas e externas. O virologista Rômulo Neris explicou que os primeiros sintomas incluem febre, vômito e diarreia, e que o vírus se multiplica rapidamente antes de ser detectado pelo sistema imunológico.
Conflitos armados na região dificultam o atendimento médico, com muitas pessoas adoecendo em casa sem conseguir chegar a hospitais, afirmou a médica Rachel Soeiro, dos Médicos Sem Fronteiras. A principal concentração de casos está na província de Ituri.
A Organização Mundial da Saúde elevou para “muito alto” o risco de disseminação do surto dentro do país e para “alto” o risco para países vizinhos. A possibilidade de expansão para fora da África é considerada baixa.
O surto provocou medo e estigma entre a população local, com pessoas suspeitas de contágio sendo evitadas até por familiares. A desinformação dificulta o trabalho das equipes de saúde, segundo o general brasileiro Ulisses Gomes, da missão de paz da ONU. Apesar do alerta internacional, especialistas descartam risco de pandemia global semelhante à Covid-19.


