O presidente da Associação Brasileira de Entidades de Classe das Revendas de Gás LP (Abragás), José Luiz Rocha, criticou o que chamou de ‘oligopólio’ no setor de distribuição de gás de cozinha e defendeu o fracionamento do botijão, em meio à discussão sobre a Resolução nº 3 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), aprovada em 1º de abril. Na próxima sexta-feira (29), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deve retomar o debate sobre a venda fracionada do GLP.
Segundo Rocha, a retórica de ‘proteção ao consumidor’ tem sido usada para preservar um mercado concentrado, enquanto o consumidor continua pressionado por preços elevados. ‘O medo virou ferramenta para proteger o oligopólio do gás de cozinha’, afirmou. Ele disse que a resolução do CNPE manteve as regras atuais e freou discussões sobre reformas, incluindo o enchimento de botijões dos consumidores e o fim da marca nos vasilhames. Para Rocha, o setor dominante estaria reagindo para impedir a entrada de novos competidores e prolongar um modelo de envase de quase 90 anos com tecnologia defasada.
A cofundadora da PayGas, Natalia Guida Giampietri, disse que a empresa atua com fracionamento na África do Sul e quer entrar no mercado brasileiro. Segundo ela, mais de 60% dos consumidores optam pelo enchimento parcial por falta de recursos para a carga completa. Os revendedores avaliam que a mudança poderia reduzir o preço do botijão cheio em até R$ 20 ao eliminar custos ineficientes do sistema atual, como logística reversa e troca de vasilhames. Atualmente, o preço final do botijão é de R$ 113,69, dos quais R$ 56,67 (49,8%) correspondem a distribuição e revenda.

