O mercado de escravos do Rio de Janeiro foi transferido da Rua Direita para o Valongo entre 1758 e 1831 por preocupações sanitárias e pela expansão urbana, segundo pesquisa da Universidade Federal Fluminense.
O historiador Cláudio de Paula Honorato, em sua dissertação na Universidade Federal Fluminense, detalha como o crescimento urbano do Rio e as preocupações sanitárias levaram à mudança do maior mercado de escravos do Brasil para a região portuária do Valongo.
O Senado da Câmara, com apoio de médicos e agentes de saúde pública, justificou a transferência para preservar o centro urbano do contágio de doenças e epidemias, afastando navios negreiros, africanos doentes e cadáveres da área nobre da cidade.
O Valongo tornou-se o principal ponto de desembarque e venda de africanos recém-chegados, estruturando economicamente a região com armadores, comerciantes e trabalhadores ligados ao tráfico. A administração buscava controlar o sistema por meio de quarentenas, inspeções médicas e vacinação, visando evitar epidemias que prejudicariam a população e a economia.
A pesquisa também destaca o Cemitério dos Pretos Novos, onde eram enterrados os africanos que morriam logo após a chegada, vítimas das condições da travessia e do mercado. O estudo conclui que o Valongo foi parte central da formação urbana e econômica do Rio de Janeiro, integrando escravidão e modernização.


