O Brasil projeta uma safra recorde de café em 2026, com estimativas entre 66,7 milhões e 73 milhões de sacas, segundo o Cecafé e a Conab. A expectativa é que o aumento da produção recupere a participação do país no mercado internacional após anos de restrições climáticas e queda nas exportações.
Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, afirmou que o setor enfrenta um cenário diferente dos últimos anos, afetados por geadas em 2021 e ondas de calor em 2022 e 2023, que prejudicaram a fisiologia das lavouras de café arábica. Ele destacou que a tradicional bienalidade da produção foi alterada devido a esses impactos climáticos.
Apesar da perspectiva positiva para a safra, as exportações brasileiras caíram entre janeiro e abril por menor disponibilidade de café arábica. Produtores capitalizados de café conilon optaram por reter estoques aguardando preços melhores, o que pode abrir espaço para concorrentes internacionais.
Matos comentou que o consumo global permanece aquecido, com cerca de 180 milhões de sacas por ano e estoques baixos após quatro anos de déficit. Ele também mencionou que países do Oriente Médio ampliaram as compras de café brasileiro em 2026, apesar das tensões geopolíticas na região que afetam logística e custos.


