O governo da Suécia anunciou nesta segunda-feira (11) que deixará de usar dispositivos digitais em sala de aula para retomar o uso de livros físicos. A medida foi motivada por preocupações com a queda no desempenho em testes e o aumento do tempo de exposição às telas.
A decisão do governo sueco reflete o reconhecimento dos desafios da leitura em dispositivos digitais, que podem introduzir distrações e formatações inadequadas, prejudicando a compreensão, especialmente em crianças. A leitura é uma habilidade complexa que exige anos de prática e coordenação entre sistemas cerebrais responsáveis pela visão, atenção e processamento da linguagem.
Estudos mostram que os movimentos oculares durante a leitura envolvem sacadas e fixações, com capacidade limitada para extrair informações visuais. Dispositivos como leitores digitais que imitam livros físicos apresentam menos problemas, mas páginas com anúncios e formatações irregulares podem capturar a atenção e reduzir a compreensão.
Especialistas destacam que crianças pequenas ainda não desenvolveram controle executivo suficiente para ignorar distrações digitais, o que pode afetar seu aprendizado. A pandemia de COVID-19 aumentou a leitura digital na educação, mas os efeitos de longo prazo ainda são incertos. Novas tecnologias permitirão comparar diretamente a leitura em papel e digital, trazendo mais clareza sobre os impactos.
Erik D. Reichle e Lili Yu, professores de psicologia cognitiva na Universidade Macquarie, ressaltam a importância de avaliar as consequências da leitura digital, considerando sua relação com o nível educacional, condição socioeconômica e bem-estar das pessoas.

