A taxa de 2% ouro, aplicada sobre mercadorias importadas no porto do Rio de Janeiro, causou intensa disputa entre empresários e governo federal no início do século XX. A cobrança visava financiar obras portuárias, mas foi considerada excessiva por comerciantes, que temiam impacto na competitividade econômica da capital federal.
A taxa de 2% ouro era uma sobretaxa calculada em moeda ouro para proteger a arrecadação contra oscilações monetárias e financiar a infraestrutura do porto do Rio de Janeiro. Empresários ligados ao comércio marítimo consideravam a cobrança elevada e pressionavam o governo para reduzir seus efeitos.
Segundo pesquisa da historiadora Nívea Silva Vieira, da Universidade Federal Fluminense, a disputa ultrapassava o debate tributário e envolvia a luta pela hegemonia sobre a política econômica do porto. A Associação Comercial do Rio de Janeiro atuava para transformar interesses do comércio importador em pautas de alcance nacional.
O porto do Rio era o principal centro comercial do país e palco de intensos conflitos entre governo e grupos empresariais. A disputa sobre a taxa de 2% ouro também influenciou debates no porto de Santos, ampliando seu alcance.
Mais de cem anos depois, o tema da competitividade e infraestrutura portuária voltou ao centro das discussões urbanas cariocas, com investimentos no Porto Maravilha e revitalização da região portuária, mantendo vivo o vínculo entre desenvolvimento econômico e o Centro Histórico do Rio.


