O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o governo federal para falhas na análise da capacidade dos Correios de honrar o empréstimo de R$ 12 bilhões obtido com garantia da União no fim de 2024. Segundo auditoria, o aval do Tesouro Nacional não foi precedido de avaliações suficientes, independentes e tempestivas sobre a situação financeira da estatal.
Em relatório técnico, auditores da Corte afirmam que o aval não foi precedido de avaliações “suficientes, independentes e tempestivas” sobre a situação econômico-financeira dos Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais que o triplo do déficit de R$ 2,6 bilhões de 2024, e acumulou 14 trimestres consecutivos de resultados negativos.
Segundo os auditores, as análises realizadas pelo governo foram insuficientes para verificar as premissas econômico-financeiras do plano de reestruturação, validar as projeções de fluxo de caixa e avaliar a real capacidade de pagamento da empresa. O tribunal avalia que a União, como acionista controladora, tinha condições de acompanhar a deterioração financeira desde o fim de 2023, quando o patrimônio líquido se tornou negativo, mas não agiu tempestivamente.
O relatório também destaca que a deterioração financeira encareceu o crédito: um empréstimo de R$ 1,8 bilhão contratado em junho de 2025 com bancos privados teve juros de 21,99% ao ano, que subiram para 25,67% após descumprimento de cláusulas. O TCU apontou ainda que a análise do Ministério das Comunicações sobre o plano de reestruturação foi insuficiente, sem validação independente.


