A transição energética no Brasil exige mais que tecnologia: depende da qualidade das decisões individuais e coletivas, além da inclusão digital, para garantir participação efetiva em redes inteligentes e geração distribuída.
A digitalização financeira avança no país com o Pix e o Open Finance, mas milhões de brasileiros permanecem sem acesso à internet, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br). Essa exclusão digital limita o exercício da cidadania energética, pois impede o uso das ferramentas necessárias para participar de redes inteligentes e comunidades de energia.
Por outro lado, o excesso de estímulos e pressões externas pode levar consumidores a decisões impulsivas, como o consumo desnecessário ou a adoção de soluções energéticas sem clareza de propósito. Ismael Mello alerta que o maior risco é decidir sem perceber a origem da influência, o que pode resultar em endividamento e escolhas inadequadas.
O desenvolvedor de negócios sustentáveis Renato Zimmermann afirma que a decisão de instalar painéis solares, aderir a tarifas dinâmicas ou participar de cooperativas deve ser baseada em uma compreensão sólida das necessidades reais, não em modismos ou pressões externas. Ele destaca que a transição energética é um desafio cultural que exige reorganizar o mapa mental em um ambiente de excesso de informações.
Para garantir uma transição justa e sustentável, é fundamental integrar políticas públicas que promovam a inclusão digital, financeira e energética, reconhecendo que a clareza decisória é essencial. Energia inteligente não é apenas tecnologia avançada, mas também a capacidade de tomar decisões conscientes, alinhadas à própria realidade.

