O Parque Nacional de Tayrona, na Colômbia, enfrenta violência paramilitar que mantém comerciantes e povos indígenas sob medo. O presidente Gustavo Petro fechou o parque por mais de duas semanas entre fevereiro e março devido a extorsões e ameaças contra guardas-parques.
Localizado às margens do Caribe e cercado por montanhas nevadas, o Parque Nacional de Tayrona é um destino turístico conhecido por suas águas cristalinas e ecossistemas marinhos ricos. Em 2025, recebeu mais de 873 mil visitantes. No entanto, a região sofre com a presença das Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN), grupo paramilitar que controla rotas do narcotráfico e impõe seu domínio sobre a população local, incluindo comunidades indígenas.
O presidente de esquerda Gustavo Petro determinou o fechamento do parque por mais de duas semanas entre fevereiro e março, justificando a medida pelas extorsões, bloqueios de estradas e ameaças contra guardas-parques que combatem atividades ilegais como o desmatamento. Yeiner Hernández, guarda-parque, afirma que a presença deles é vital para conservar os recursos naturais, apesar das advertências recebidas devido ao conflito com grupos criminosos.
As comunidades indígenas, como os povos arhuacos e koguis, vivem sob constante ameaça. Luis Salcedo, governador arhuaco, destaca que 95% da comunidade é totalmente nativa, sem domínio do espanhol, e depende dos seus cultivos e conhecimentos ancestrais. A violência aumentou com a disputa do Clã do Golfo pelo controle da serra, agravando o conflito.
Segundo a pesquisadora Norma Vera, as ACSN exercem um controle territorial consolidado e exploram ilegalmente minas de ouro, contaminando a água com mercúrio. O setor turístico também sofre com a má reputação causada pela violência, como observa Ómar García, presidente da associação hoteleira de Santa Marta, que compara a situação a países em conflito.

