Acionistas minoritários da Americanas exigem que a responsabilização por prejuízos decorrentes da fraude contábil da varejista alcance os acionistas controladores e agentes de supervisão. A segunda fase da Operação Disclosure da Polícia Federal ocorreu nesta quinta-feira (25), após o rombo ser estimado em R$ 54 bilhões.
O Instituto Empresa, entidade que representa os minoritários, afirmou que o caso demonstra falhas estruturais de governança que permitiram o desenvolvimento da fraude ao longo dos anos. Segundo Eduardo Silva, presidente do Instituto Empresa, “Uma fraude dessa magnitude, que perdurou por tantos anos, não pode ser explicada apenas pela atuação de alguns diretores. Defendemos que os controladores também devem responder pelos deveres fiduciários inerentes ao poder de controle e pela supervisão da companhia”.
A investigação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apura crimes como manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Antes da nova etapa, a B3 já havia concluído um processo de enforcement, aplicando multas de até R$ 395 mil por conselheiro por descumprimento de deveres de diligência.
O instituto também apontou que os impactos econômicos da recuperação judicial recaíram sobre fornecedores, trabalhadores e minoritários. Além disso, o papel dos bancos na fraude está sendo investigado, o que pode gerar uma nova camada de responsabilização.

