O adiamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, previstas para a Suíça, lança novas incertezas sobre a retomada da navegabilidade no Estreito de Ormuz. O cancelamento ocorreu após a desistência de um representante dos EUA, e especialistas apontam que a região ainda carrega marcas de conflito.
A confirmação do Ministério das Relações Exteriores suíço sobre o não acontecimento dos encontros em Burgenstock, na Suíça, ocorreu após a desistência de um representante dos EUA. Embora no primeiro dia do acordo firmado entre Washington e Teerã cerca de 10 navios petroleiros tenham transitado pela região, o número não representa uma normalização do tráfego marítimo, avaliou Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais do Ibmec SP.
Pires afirmou que a retomada plena do corredor petrolífero levará tempo, pois os cargueiros precisam acessar uma área que esteve em estado de guerra. Ele comentou que, apesar de um distensionamento das tensões, elas persistem, mantendo o frete marítimo elevado e a rota pouco confiável para operadores. O estreito é dividido entre os mares territoriais do Irã e de Omã, e minas instaladas pelo Irã geravam um impasse que as negociações deveriam resolver.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de o Irã cobrar taxa de passagem após os 60 dias de livre navegação previstos. O professor Pires interpretou essa ameaça como uma estratégia de barganha, alertando que a persistência nesse ponto pode reativar o conflito. Ele concluiu que o Irã é o grande ganhador do processo, por resistir a ataques de potências militares e manter o regime.

