A Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) informou que não consegue mais determinar o tamanho, a composição ou a localização do estoque de urânio enriquecido do Irã. A perda de acesso ocorreu após restrições impostas às instalações nucleares do país, comprometendo a fiscalização internacional.
O relatório confidencial da Aiea classifica a situação como incompatível com suas responsabilidades de salvaguarda e exige que o governo iraniano cumpra plenamente suas obrigações internacionais. A principal preocupação internacional reside no volume de urânio altamente enriquecido acumulado pelo Irã. Segundo dados da própria Aiea, o país mantém um estoque superior a 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza.
O diretor-geral da Aiea, Rafael Grossi, afirmou que a quantidade de material disponível poderia permitir a produção de até dez bombas nucleares caso o Irã militarize o programa. O desafio atual, segundo a agência, é a perda da “continuidade do conhecimento”, pois os inspetores não acompanham a movimentação do material nuclear. Desde fevereiro, a única instalação visitada foi a Usina de Bushehr, no sul do Irã, entre 1º e 3 de junho.
As negociações diplomáticas entre Estados Unidos, Irã e mediadores enfrentam novo obstáculo. Washington exige que o material seja retirado do território iraniano para supervisão internacional, proposta que Teerã rejeita, mantendo o controle do estoque dentro do país. A divergência dificulta um acordo mais amplo sobre o programa nuclear.


