Santo Agostinho de Hipona define o tempo como algo que reside na alma, e não em um lugar distante. O pensador aborda a questão temporal ao analisar obras como ‘Yesterday’ e ‘O Tempo e o Vento’, mostrando que o passado habita o presente.
Agostinho de Hipona argumenta que o tempo teve início com a criação divina, negando a existência de um ‘antes’. Ele explica que o tempo não existe fora da alma, mas sim dentro dela. Segundo o filósofo, o passado é o presente da memória, o futuro é o presente da expectativa e o presente é o breve intervalo da atenção. Assim, a alma se distende entre o que recorda, o que espera e o que vive.
Essa perspectiva contrasta com a visão de ‘Yesterday’, música de Paul McCartney, que trata o passado como um lugar perdido ao qual se deseja retornar. O autor aponta que, se o tempo reside na alma, o passado nunca se foi, mas sim permanece ativo na memória. Ele compara isso ao épico de ‘O Tempo e o Vento’, de Erico Verissimo, onde o passado coloniza o presente através da herança de gerações.
Para Agostinho, o sofrimento ligado ao passado está ligado ao hábito. A razão pode indicar o caminho, mas a vontade pode permanecer presa ao que é prejudicial. O filósofo da Antiguidade tardia conclui que, enquanto o passado for refúgio, ele mantém seu poder de perseguição. A confissão, nesse sentido, é o caminho para que o ontem deixe de ser um cativeiro.

