O agronegócio brasileiro enfrentará desafios no segundo semestre de 2026 devido a três frentes: projeções cambiais, novas tarifas dos Estados Unidos e o desenvolvimento de um El Niño forte. Relatório do Rabobank aponta que esses fatores devem impactar margens, exportações e o planejamento de safra.
O Rabobank projeta o dólar a R$ 5,35 ao final do ano. Essa pressão sobre o real é sustentada por incertezas fiscais e eleitorais no Brasil, somadas a juros mais altos nos Estados Unidos. Em paralelo, o cenário monetário brasileiro mostra sinais contraditórios: o Copom reduziu a Selic para 14,25% em junho, mas a instituição projeta a taxa em 13,25% no fim do ano, enquanto o IPCA deve subir para 5,1% em 2026.
As exportações do agro são ameaçadas por propostas tarifárias dos EUA. O governo norte-americano anunciou medidas via Seção 301, incluindo uma tarifa de 25% direcionada ao Brasil, baseada em práticas de comércio digital e desmatamento ilegal. Outra tarifa abrangente de 12,5% foi proposta para 54 países, penalizando itens como açúcar e etanol.
O clima também impõe riscos. A NOAA confirma o El Niño a partir de julho, com chance de ser o maior desde 1950 a partir de novembro. O Inmet prevê chuvas abaixo da média na maior parte do país, o que afeta o plantio. Além disso, o custo de insumos cresce, e o Rabobank estima queda nas entregas totais de fertilizantes para 45,1 milhões de toneladas em 2026.

