Quase meio século após o início da epidemia de Aids nos Estados Unidos, o Brasil ainda registra milhares de novos diagnósticos e mortes anuais. Segundo o DataSUS, 1,1 milhão de casos de HIV evoluíram para Aids desde 1982. O estigma social permanece como obstáculo à eliminação da doença, afirma o infectologista Alvaro Costa.
A Aids, que se tornou global, ainda gera altos índices de mortalidade no país. Até o fim de 2024, 402 mil pessoas morreram pela doença no Brasil. Em 2024, o país registrou 9.157 óbitos, representando uma queda de 12,8% em relação ao ano anterior, segundo o boletim epidemiológico de Aids de 2025. A taxa de mortalidade foi de 3,4 óbitos para cada 100 mil habitantes.
O infectologista Alvaro Costa, do Hospital das Clínicas, explica que o estigma impede o debate sério sobre o HIV. Ele comenta que, diferentemente do câncer, o vírus ainda está ligado a tabus e à discussão moral. Apesar dos avanços, como a PrEP, adotada em 2017 no SUS, que reduz em 99% a chance de infecção, o acesso a essas ferramentas é desigual no território nacional.
Um acompanhante da doença, que recebeu o diagnóstico em 1998, declarou que o preconceito ainda não foi superado. Ele afirmou que o perfil de quem se infecta no Brasil é majoritariamente pobre, negro e periférico. O profissional avalia que o controle da Aids exige ações integradas, incluindo testagem, uso de preservativos e PrEP, pois a falha em qualquer um desses pontos gera prejuízos.


