Um teste realizado demonstrou que o algoritmo do TikTok sugere vídeos com referências a facções criminosas a um usuário de 17 anos em cerca de 21 minutos. As publicações exibiam símbolos associados a grupos como Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Primeiro Comando da Capital, levantando preocupações sobre a ‘narcocultura digital’ entre jovens.
Especialistas apontam que a exposição a esses elementos faz parte de uma estratégia de construção de identidade e pertencimento entre adolescentes. O sociólogo Wesley Santana, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explicou que práticas e símbolos que romantizam o crime organizado são disseminados, e jovens se identificam com essas narrativas. Segundo Santana, esses discursos nascem da desigualdade social.
A dimensão dessa exposição acompanha o crescimento do uso das redes entre adolescentes. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), o Brasil possui cerca de 24,6 milhões de usuários de internet entre 9 e 17 anos. A semiologista Silvia Maria de Sousa afirmou que a repetição desses códigos, como emojis e expressões, faz com que eles se tornem sinais de adesão e manifestação de pertencimento a determinados discursos.
A advogada criminalista Silvana Campos esclareceu que a apologia ao crime, prevista no artigo 287 do Código Penal, exige análise do contexto e da intenção. Ela declarou que o limite entre manifestação cultural e ilegalidade reside na finalidade do conteúdo, podendo influenciadores responder por apologia se houver exaltação ou incentivo a atividades criminosas.
Em resposta ao teste, a plataforma TikTok informou que os vídeos foram analisados e removidos por violarem suas Diretrizes da Comunidade. A empresa declarou que sua moderação combina tecnologia e revisão humana para identificar e remover materiais que promovam organizações criminosas violentas.

