O termo ‘tasteslop’, criado pela consultora Emily Segal, define a padronização da estética e do bom gosto imposta pelos algoritmos das redes sociais. Esse fenômeno gera a sensação de que o consumo de itens de luxo se torna uma norma, questionando a autenticidade das aspirações individuais.
A padronização estética, chamada de ‘tasteslop’, transforma o desejo em consumo massificado. Segundo a coordenadora Valeska Nakad, o espírito do tempo mostra a morte da autenticidade, pois a cultura passa a ser curada digitalmente, e não produzida por vivências reais. Ela comentou que o acesso aos signos de bom gosto democratizado pelas redes criou uma distinção entre quem pode consumi-los e quem se frustra por não alcançar os itens.
A pesquisadora Marina Roale, sócia do Grupo Consumoteca, afirmou que a velocidade da informação acelerou os códigos. Tendências que antes duravam anos hoje duram semanas, fazendo com que o que era exclusivo se torne uma febre coletiva. Marina comentou que o bom gosto passa a representar o desejo de ostentar o que o outro possui.
A psicóloga Daniela Faertes explicou que esses elementos geram uma falsa sensação de pertencimento, o que afeta a identidade. Ela exemplificou que as redes transformam o que era para poucos em algo banal, causando frustração. Para evitar ser vítima desse processo, a psicanalista Michèle Mayer concluiu que a verdadeira riqueza reside naquilo que escapa aos modelos e tendências.

