A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã impulsiona os preços do petróleo, criando um desafio para os bancos centrais globais. Economistas afirmam que a política monetária tem capacidade limitada para reverter choques de preços gerados por tensões geopolíticas, forçando cautela nas decisões de juros.
Nelson Marconi, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), explicou que, embora juros altos ajudem a desacelerar a demanda interna, eles não influenciam diretamente o preço internacional do barril ou interrompem os efeitos de um conflito geopolítico. Segundo ele, o aumento dos combustíveis se espalha pela economia, pressionando índices inflacionários mundialmente, enquanto o instrumento monetário tem alcance reduzido nesse cenário.
Marconi defende que o Banco Central brasileiro deve manter a taxa Selic em nível elevado por mais tempo. Essa postura se justifica pela combinação da alta do petróleo com as incertezas fiscais domésticas, o que diminui o espaço para cortes de juros e torna o cenário econômico mais difícil.
O mercado acompanha de perto os confrontos no Oriente Médio. Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, comentou que a tônica do mercado é a oscilação entre a esperança de um acordo que normalize o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e o risco de nova escalada militar. Apesar da queda do barril de perto de US$ 110 para US$ 95, a inflação no Brasil continua preocupando o Banco Central, mantendo a expectativa de Selic elevada.

