Funcionários da Amazon estão sob investigação interna após criticarem a expansão acelerada de data centers de inteligência artificial e defenderem uma regulação governamental mais rígida. Cinco colaboradores participaram de audiências no Conselho da Cidade de Seattle, onde a proposta de moratória de um ano na construção de grandes centros de dados foi aprovada em 9 de junho.
Durante as sessões públicas, os trabalhadores criticaram os altos investimentos das grandes empresas de tecnologia em IA, classificando o movimento como uma “expansão da IA a qualquer custo”. Após as audiências, três dos colaboradores foram convocados para reuniões virtuais com o setor de Recursos Humanos da Amazon. Uma denúncia enviada ao Escritório de Direitos Civis de Seattle afirma que a companhia apura possíveis problemas ligados aos depoimentos, alertando que a investigação pode levar a punições disciplinares ou demissão.
A acusação também alega que a Amazon monitora a atuação política dos funcionários no conselho da cidade e busca identificar outras pessoas envolvidas em atividades semelhantes. A empresa, contudo, declarou que respeita o direito de manifestação dos empregados, mas exige que sigam procedimentos internos. A porta-voz Margaret Callahan explicou que a apuração visa verificar violações de política interna, negando qualquer intenção de demissão ou tolerância a retaliação.
Os funcionários fazem parte do grupo Amazon Employees for Climate Justice, que pressiona a companhia por mudanças climáticas e uso de tecnologia. A discussão ocorre em um momento em que a Amazon planeja investir até US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA neste ano, enquanto realiza uma reestruturação que resultou no corte de cerca de 30 mil empregos corporativos desde outubro, segundo o CEO Andy Jassy.

