O cessar-fogo de 60 dias entre Estados Unidos e Irã, anunciado recentemente, não resolve a instabilidade estrutural no Oriente Médio, segundo análise.
A dinâmica de conflito no Oriente Médio continua marcada por instabilidade, mesmo com o anúncio de um cessar-fogo de 60 dias entre Estados Unidos e Irã. De acordo com a análise, essa medida apenas contém temporariamente o nível de confrontação direta, sem resolver as assimetrias e incompatibilidades estratégicas entre os principais atores envolvidos.
No eixo Irã-Israel, o conflito é essencialmente estratégico e militar, com o regime iraniano sustentando uma postura de enfrentamento direto ou indireto ao Estado de Israel. Do lado israelense, essa configuração é percebida como uma ameaça existencial, o que torna improvável qualquer solução negociada ampla ou duradoura nesse eixo.
Já na relação entre Estados Unidos e Irã, existe maior margem para acomodações de natureza econômica e diplomática. A possibilidade de desbloqueio de recursos, retomada de exportações de petróleo e reintegração parcial do Irã à economia internacional aponta para um caminho de negociação pragmática.
Por fim, a relação entre Estados Unidos e Israel é caracterizada por uma simbiose estratégica profunda, com Israel dependendo fortemente do suporte militar e político norte-americano.

