Analistas do mercado financeiro passaram a adotar um tom mais otimista em relação à Cosan (CSAN3) após avanços na agenda de desinvestimento da companhia. A empresa comunicou a venda de 12% de seu portfólio agrícola em 17 de junho, o que levou os papéis a fechar a sessão com ganhos de 6,12%, enquanto o Ibovespa caiu 0,7%.
O pessimismo que marcou os últimos meses, após a queda de cerca de 50% das ações em 2025 e resultados fracos no primeiro trimestre deste ano, começa a mudar. O BTG Pactual afirmou que o anúncio de desinvestimentos torna o caminho para destravar o valor da estrutura societária mais claro, reiterando recomendação de compra com preço-alvo de R$ 8. O banco considera que ativos podem ser monetizados no curto prazo, auxiliando o fluxo de caixa.
O Bank of America (BofA) também retomou a cobertura com recomendação de compra, projetando um preço-alvo de R$ 5,50 para o final de 2026. A tese do BofA depende da redução da dívida líquida a zero, estimando-se R$ 9,5 bilhões ao final de 2026. Para isso, a companhia deve impulsionar dividendos e realizar operações de monetização de portfólio.
Os analistas apontam que a venda de ativos é crucial. O BTG Pactual mencionou que a venda de cerca de 70 a 80 mil hectares de terra poderia melhorar o fluxo de caixa em aproximadamente R$ 500 milhões. Embora a situação seja considerada administrável, o fluxo de caixa da Cosan registrou um valor negativo de R$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre, segundo dados da companhia.

