A Agência Nacional do Petróleo (ANP) retomará nesta semana a discussão sobre alterações na distribuição e venda de GLP, o gás de cozinha usado em cerca de 90% dos lares brasileiros. Especialistas alertam que as propostas, como a permissão para recarga parcial e o enchimento de recipientes de outras marcas, podem favorecer a entrada do crime organizado no setor.
A revisão do marco regulatório, segundo a ANP, visa ampliar a oferta e a competitividade do mercado. Contudo, especialistas divergem dessa visão, afirmando que a flexibilização pode replicar o cenário de sonegação e adulteração visto em combustíveis líquidos. Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura e Energia (CBIE), declarou que o modelo pode expandir a criminalidade, sem beneficiar o consumidor.
O deputado Mendonça Filho, relator da PEC da Segurança na Câmara, afirmou que facções criminosas dominam a venda de botijões nas periferias e avançarão com as mudanças propostas. Ele buscará formalizar um pedido de informações e audiência pública para a ANP explicar as medidas.
Os críticos apontam riscos à segurança e à logística. David Zylbersztajn explicou que a marca do envasador atual oferece segurança ao consumidor. Além disso, Pires questionou quem arcará com os prejuízos em caso de acidentes com botijões fracionados sem identificação.

