A contagem do segundo turno da eleição presidencial do Peru, realizada em sete de junho, avança lentamente, com a autoridade eleitoral prevendo a conclusão dos resultados até julho. A demora ocorre devido à disputa acirrada entre os candidatos e a complexa logística do sistema de votação.
A proximidade dos candidatos, Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, com diferença de poucas dezenas de milhares de votos, exige um avanço minucioso na apuração para definir o presidente. Além disso, o Peru utiliza voto impresso, o que impõe desafios logísticos severos. Em áreas de selva ou sem estradas, o transporte das cédulas exige o uso de barcos ou animais de carga.
Professores de Relações Internacionais apontam que a contagem manual e a necessidade de digitalização das atas, somadas à infraestrutura de internet e à disponibilidade de pessoal, agravam o atraso. O voto de cidadãos no exterior, que soma mais de 1,2 milhão de eleitores, também é contabilizado tardiamente, pois as cédulas precisam ser transportadas por avião até a capital, Lima.
O processo é complexo, envolvendo o Conselho Nacional Eleitoral, o Júri Eleitoral Especial (JEE) para apelações e, por fim, o Júri Nacional de Eleições, responsável pela proclamação. Especialistas explicam que a rigidez das regras, criada para evitar fraudes, gera um efeito de paralisia, pois atas contestadas são direcionadas ao rito judicial.

