A publicação online de cerca de 12 milhões de carteirinhas de filiação ao Partido Nazista, confiscadas após a Segunda Guerra Mundial, expôs segredos de muitas famílias alemãs. Os documentos, disponibilizados pelos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos, forçam cidadãos a confrontarem o passado do regime de Adolf Hitler.
A abertura dos registros gerou grande interesse entre alemães que buscam informações sobre seus antepassados. Um historiador, Johannes Spohr, comentou que, embora o Estado alemão tenha feito esforços de reparação, muitas famílias mantiveram um silêncio sobre o período. Spohr explicou que a data de filiação pode indicar o nível de comprometimento: adesões na década de 1920 ou início dos anos 1930 sugerem convicção, enquanto adesões após 1933 podem indicar oportunismo.
Um professor de história descobriu que sua avó ingressou no partido em 1940, aos 19 anos. Ele afirmou que, apesar da descoberta, seus avós não demonstraram simpatia pelo regime após o fim da guerra. Corinna, de 60 anos, relatou que seu pai ingressou no NSDAP em 1935, dois anos após Hitler assumir o poder.
A nova janela documental também leva à reflexão sobre o cenário político atual. Segundo o professor, a análise desses arquivos pode influenciar o debate sobre a ascensão da extrema direita, representada pelo partido Alternativa para a Alemanha (AfD).

