A Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) teve sua arrecadação aumentada em cerca de 48 mil% em menos de dois anos. A Operação Juros Zero, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, investiga um suposto esquema de descontos irregulares em folhas de pagamento de servidores do Distrito Federal.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) aponta que a entidade ocupa posição central no esquema. Um levantamento da Secretaria de Fiscalização de Pessoal do Tribunal de Contas do Distrito Federal mostrou o crescimento exponencial da arrecadação entre 2023 e agosto de 2025. Os investigadores consideram essa evolução incompatível com a estrutura operacional da ASDF.
A apuração indicou uso da estrutura para viabilizar empréstimos consignados, registrando valores como descontos de “plano de saúde”, mesmo sem autorização dos servidores em vários casos. O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinou 50 mandados de busca e apreensão contra o Banco de Brasília, a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) e o banco PicPay.
O MPDFT enviou os documentos à Justiça, afirmando que a ASDF pode atuar como entidade de fachada. A sede da associação opera em espaço de coworking e não possui rede credenciada própria, carecendo de estrutura técnica para o volume de recursos. Servidores contestam as alegações, dizendo não ter vínculo ou ter autorizado os descontos em seus contracheques.

