Duas exposições em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo revisitam o legado de Mestre Didi e Rubem Valentim, artistas que incorporaram signos do candomblé em suas obras geométricas. As mostras analisam como a arte afro-brasileira dialoga com as vanguardas europeias, consolidando uma perspectiva cultural nacional.
A linguagem geométrica brasileira se consolidou nos anos 1950, influenciada por movimentos como o construtivismo e o cubismo. Contudo, Mestre Didi e Rubem Valentim trouxeram referências do candomblé para suas pinturas e esculturas. No Itaú Cultural, a coletiva “Mestre Didi – Invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira” segue até 5 de julho, apresentando 50 trabalhos do artista e de contemporâneos.
No Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, a mostra “Rubem Valentim: a ordem do sensível” reúne 180 obras até 2 de agosto. Rodrigo Moura, cocurador da mostra, explicou que Valentim levou o candomblé para dentro da arte, enquanto Mestre Didi levou a arte para o candomblé. Segundo Moura, ambos ganharam maior apreciação crítica nos últimos anos.
Raquel Barreto, curadora-chefe do MAM Rio, comentou que leituras anteriores diminuíam a complexidade das obras, tratando-as como transposição literal. Ela afirmou que Valentim construiu um vocabulário a partir dessas influências, desdobrando-o em experimentação formal. Barreto acrescentou que não é preciso conhecer as religiões afro-brasileiras para fruir a obra de Valentim.


