O Ministério dos Transportes adiou os leilões de concessões do Corredor Leste-Oeste para 2027, o que acende alerta em Goiás. O atraso afeta a integração entre a FICO e a FIOL, cujo ponto de convergência é Mara Rosa. A decisão, justificada como técnica, gera incerteza sobre a expansão logística do Norte do estado.
O Corredor Leste-Oeste, que visa transformar o Brasil Central em eixo de escoamento de riquezas, sofre o reajuste no planejamento federal. O governo alega que o adiamento busca validação jurídica junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e atração de capital estrangeiro. O plano prevê investimentos de R$ 58,2 bilhões em Capex e R$ 217,4 bilhões em despesas operacionais (Opex).
Contudo, especialistas apontam falhas estruturais. O engenheiro civil George Wilton Albuquerque Rangel disse que o adiamento de 100% da carteira de projetos federais evidencia desequilíbrio entre ambição e capacidade técnica. Ele explicou que projetos como FIOL e FICO possuem estudos maduros há anos, mas não encontram viabilidade de concessão devido ao equilíbrio financeiro.
Para o Norte e Nordeste de Goiás, a dependência do modal rodoviário se mantém, enquanto o Sul e Sudeste já possuem infraestrutura consolidada. O especialista alertou que a falta de previsibilidade federal cria um risco silencioso para o investimento industrial. Empresas que planejam unidades agroindustriais no Centro-Oeste podem direcionar capital para Mato Grosso ou Bahia se o corredor FICO-FIOL não for operacionalizado.

