Investidores estrangeiros retiraram R$ 14,104 bilhões da bolsa brasileira em maio, sinalizando um esgotamento da diversificação global de investimentos. Esse movimento ocorre em meio à maior atratividade das ações de grandes empresas de tecnologia americanas, pressionando o real.
Analistas apontam que o tropeço do real em maio se deve à volta do apetite por ações de tecnologia nos Estados Unidos. Segundo o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, o índice Nasdaq registrou ganhos superiores a 8% em maio, impulsionado por anúncios de investimentos pesados em inteligência artificial.
O fluxo de capital externo para o Brasil diminuiu nas últimas semanas, conforme Alves. O gestor de multimercados da AZ Quest, Eduardo Aun, comenta que o bom desempenho das big techs pode reativar a tese do “excepcionalismo americano”, diminuindo o apelo de ativos emergentes. Aun afirma que esses fatores são vetores para alta do dólar.
Economistas do BTG Pactual explicam que o real se beneficiou de um fluxo anterior para economias emergentes. No entanto, o Bradesco mantém que, apesar da perda de força na realocação de portfólio, o Brasil segue no radar dos investidores por ser exportador líquido de petróleo e por ter diferencial de juros elevado, prevendo câmbio em torno de R$ 5,00 ao final de 2026.


