Em fevereiro de 1968, a atriz Tônia Carreiro foi detida pela polícia durante uma passeata pacífica no Rio de Janeiro. A mobilização ocorreu em protesto contra a censura imposta pela ditadura militar brasileira, que restringia severamente a produção cultural do país.
A participação da atriz na manifestação ocorreu em um momento de intensa tensão cultural. O teatro brasileiro vivia sob intervenção da Censura Federal, que cortava ou alterava obras. A repressão do regime, instaurado após o golpe de 1964, atingia jornais, livros, músicas e peças de teatro.
Os artistas organizaram uma greve de três dias no Rio de Janeiro. Após a mobilização, decidiram realizar uma caminhada ao Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo. O grupo seguia em clima pacífico, cantando o Hino Nacional, quando a polícia interveio e a atriz foi detida.
O regime tentou justificar a detenção alegando que o horário de visitação ao monumento havia terminado. Contudo, o episódio foi interpretado como demonstração da intolerância do regime diante de qualquer contestação pública. A imagem da atriz sendo conduzida pelas forças policiais ganhou destaque na imprensa.


