O número de mulheres assassinadas no Rio Grande do Sul por razões de gênero cresceu de vinte para trinta e oito em cerca de três meses. O aumento levanta questionamentos sobre a persistência da violência, que, segundo especialistas, tem raízes culturais profundas.
O crescimento dos casos de feminicídio no estado indica que a questão ultrapassa a esfera policial ou jurídica. O psicólogo Elliot Aronson, em sua obra “O Animal Social”, explica que atitudes de crueldade não surgem apenas de escolhas individuais, mas são moldadas pelo ambiente cultural e pelas crenças socialmente aceitas.
Aronson afirma que a ideia de que um indivíduo possui direitos sobre a vida de uma mulher é uma construção social. Ele descreve o fenômeno da dissonância cognitiva, mecanismo pelo qual o agressor distorce a realidade para justificar a violência, vendo a vítima como extensão de seus desejos.
O autor defende que, embora leis rigorosas e atuação policial eficiente sejam indispensáveis, elas não alteram mentalidades construídas ao longo de décadas. É necessário educar desde cedo sobre igual dignidade e respeito, tratando isso como formação para a cidadania e empatia.

