Um especialista em óleo e gás afirmou que o armazenamento de energia, feito por baterias, necessita de um mercado real para se integrar à matriz elétrica brasileira, e não de subsídios governamentais. A análise, feita durante o programa Infra em 1 Minuto, abordou os desafios do primeiro leilão de baterias do país.
Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, ponderou que, apesar do interesse no armazenamento, é preciso cautela para que a expectativa não se torne ilusão. O especialista explicou que as baterias possuem um limite prático de uso, entregando potência por poucas horas e exigindo recarga constante por uma fonte geradora. Rodrigues afirmou que quanto mais baterias são instaladas, mais geração é necessária para suprir a demanda delas.
Para ilustrar o ponto, ele citou os Estados Unidos, que registraram quase 60 GWh de armazenamento em 2025. Contudo, esse volume representou apenas 2% da geração total do parque instalado norte-americano. O especialista declarou que a bateria não foi projetada para substituir a geração, mas para potencializar a capacidade já existente.
Rodrigues apontou que o debate no Brasil carece de um mercado funcional. Ele explicou que, atualmente, o consumidor com geração solar não tem incentivo para guardar energia produzida durante o dia, pois a tarifa é uniforme. A solução, segundo ele, é a adoção do preço horário, onde a energia seria mais barata em momentos de sobra solar e mais cara nos picos de demanda.
O especialista concluiu que o incentivo financeiro gerado pela dinâmica de oferta e demanda é o que assegurará a viabilidade do sistema a longo prazo. Rodrigues disse: “A bateria não substitui a geração firme. E quem mostra a hora certa de usá-la não é o decreto, é o preço”.

