O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência no país neste sábado, 20 de junho. A medida ocorre em meio a manifestações de rua que duram 50 dias e recrudescimento da crise política e econômica. O decreto visa restabelecer a ordem e assegurar o fluxo de bens essenciais.
A declaração presidencial amplia os poderes do governo para acionar as Forças Armadas e desbloquear rodovias ocupadas por manifestantes. As autoridades alertam que os protestos impactam diretamente o abastecimento em todo o país, afetando a economia boliviana. Segundo a legislação local, o decreto entra em vigor imediatamente, mas o governo deve comunicar o Congresso em até 24 horas, que terá 72 horas para aprovar ou rejeitar a situação.
As manifestações são lideradas pelo ex-presidente Evo Morales e grupos rurais e sindicatos. Os manifestantes bloquearam diversas rodovias, impedindo a passagem de caminhões. Embora o governo Paz tenha anunciado um acordo com a Confederação Operária Boliviana (COB) na sexta-feira, 19, grupos ligados a Morales não reconheceram o pacto, mantendo os bloqueios, especialmente em Cochabamba.
A crise política teve início após o governo cortar subsídios aos combustíveis, buscando diminuir o rombo fiscal em um contexto de escassez de dólares e negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os manifestantes reivindicam mudanças na distribuição de terras, reajustes salariais e a renúncia do presidente.

