A Bolsa brasileira registrou um encolhimento de R$ 787 bilhões desde meados de abril, levando o Ibovespa de perto de 200 mil pontos para abaixo de 170 mil pontos no início de junho. Apesar da retração, estrategistas de mercado veem potencial de recuperação, classificando o movimento como tático e não estrutural.
Estrategistas do Bradesco BBI afirmam que a recente perda de fôlego das bolsas latino-americanas pode abrir uma janela de oportunidade para investidores. O banco classifica o movimento de deterioração de fluxo como excessivo, visto que a região passou a negociar com desconto após devolver ganhos acumulados no início de 2026. O Brasil é a principal aposta do banco, com recomendação de exposição acima da média (overweight).
A visão positiva do BBI se baseia em múltiplos descontados, pois a Bolsa brasileira negocia cerca de um desvio-padrão abaixo da média histórica. Além disso, houve um aumento expressivo na compra de ações por investidores institucionais locais, compensando parte da saída de capital estrangeiro. O banco também considera que os ciclos domésticos de juros e eleições estão mal precificados.
Outras casas de análise também apontam para o potencial de alta. A XP Investimentos projeta o Ibovespa a 205 mil pontos ao final do ano, o que representa um crescimento de 21% em relação ao fechamento de cinco de junho. Contudo, o JPMorgan alerta que o Brasil historicamente apresenta desempenho inferior nos seis meses que antecedem uma eleição, e que as taxas de juros podem impedir a recuperação dos setores domésticos no médio prazo.


