O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras, mas ainda enfrenta barreiras tecnológicas e ambientais para desenvolver uma cadeia produtiva nacional. Os 17 elementos químicos são vitais para a fabricação de veículos elétricos e turbinas eólicas, segundo Fernando Landgraf, professor da Escola Politécnica da USP.
Para consolidar o setor, o país deve construir unidades de separação e refino e dominar a produção de ímãs permanentes de alta potência. Landgraf, em palestra na FAPESP Week Londres, afirmou que o potencial das reservas é apenas o início. O foco deve ser a capacidade de obtenção do carbonato, matéria-prima essencial para os ímãs de alta potência, que estão no centro da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.
A demanda global por ímãs pode exigir cerca de 300 mil toneladas anuais de carbonato. Atualmente, a produção brasileira atende menos de 6% desse volume. Embora existam cerca de 10 projetos de mineração em andamento, o principal obstáculo reside na separação dos elementos, devido à composição variada das argilas iônicas brasileiras.
O pesquisador apontou que o primeiro desafio é ambiental, pois faltam parâmetros consolidados para monitorar os impactos químicos da mineração. O gargalo técnico exige domínio da tecnologia de extração por solventes e desenvolvimento local de extratantes químicos. O país já possui bases científicas, como o INCT Patria e o INCT Materia, e um laboratório-fábrica em Minas Gerais, que levará cerca de dois anos para atingir a qualidade exigida pelo mercado.


