O Brasil foi excluído da lista de países aptos a exportar produtos de origem animal para a União Europeia devido a novas exigências regulatórias sobre o uso de antimicrobianos. A decisão, publicada pela Comissão Europeia, gera preocupação no setor produtivo e pode impactar negativamente o comércio de carnes com o bloco.
O analista de mercado Fernando Henrique Iglesias explicou que a Europa exige documentação completa que comprove a rastreabilidade de toda a cadeia produtiva, desde o nascimento do animal até o abate. Segundo Iglesias, o problema reside no fato de que nem todas as regiões do país cumprem essas condições, especialmente na bovinocultura de corte. Ele alertou que alguns estados brasileiros podem ficar impossibilitados de exportar carne bovina a partir de 3 de setembro.
Os produtos de origem animal afetados representam cerca de US$ 1,7 bilhão em exportações anuais. Embora não haja impacto imediato, a suspensão entra em vigor na data mencionada. Iglesias apontou que a Europa atua como um mercado vitrine global, e suas decisões influenciam outros mercados importantes, como visto em suspensões anteriores para a China.
Questionado sobre o aspecto político, o analista afirmou que a regulamentação possui um componente protecionista. Ele disse que a Europa utiliza a norma para proteger a produção local, citando a diferença de custo: enquanto a arroba do boi gordo no Brasil custa cerca de US$ 70, na União Europeia o mesmo produto varia entre US$ 110 e US$ 120.
Para os frigoríficos, o cenário exige uma estratégia urgente. Iglesias enfatizou que o Brasil precisa consolidar um plano para entregar a documentação pendente e demonstrar quais regiões atendem às condições europeias, um processo que terá cerca de três meses para ser resolvido.


