O governo brasileiro intensificou negociações com a União Europeia (UE) para reverter o veto sanitário à carne bovina nacional antes do prazo de 3 de setembro. A restrição pode impactar cerca de R$ 9 bilhões anuais em embarques ao bloco, segundo o governo.
O chanceler Mauro Vieira se reuniu com o comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, em Paris, em 6 de junho de 2026, durante evento da OCDE. A conversa abordou a implementação do acordo Mercosul-UE e questões ligadas a produtos agropecuários. Em nível técnico, a missão brasileira em Bruxelas estabeleceu canal direto com autoridades sanitárias europeias, com apoio do adido agrícola do Ministério da Agricultura.
A principal disputa reside na exigência europeia de comprovação de origem e rastreabilidade do rebanho, um desafio logístico devido à escala da pecuária nacional. O governo avalia que possui capacidade de fornecer os dados solicitados pelo bloco. Além disso, técnicos analisam se o Brasil conseguirá esgotar a cota de carne bovina com tarifa reduzida antes da entrada em vigor da medida.
A decisão da UE ameaça a perda de quase US$ 2 bilhões por ano, pois o país pode ser retirado da lista de nações que cumprem regras sobre o uso de antimicrobianos. Em 2025, o bloco europeu comprou 368,1 mil toneladas do produto brasileiro, totalizando US$ 1,8 bilhão, o que equivale a aproximadamente R$ 9,30 bilhões na cotação atual.


