O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados da PNAD Educação que mostram que o analfabetismo no Brasil atingiu 4,9%, a menor taxa da série histórica desde 2016. O índice, que ficou abaixo de 5%, ainda representa quase 8,5 milhões de brasileiros com mais de 15 anos sem saber ler ou escrever.
A especialista em políticas educacionais, Claudia Costin, avaliou os resultados como um sinal de progresso, citando a universalização do ensino fundamental e o aumento de matrículas no ensino médio após a pandemia como fatores de avanço. No entanto, Costin afirmou que as desigualdades sociais do país geram disparidades educacionais, e que a concentração do analfabetismo entre idosos reflete atrasos acumulados ao longo da vida.
A pesquisa também revelou diferenças significativas por raça e região. Entre os maiores de 25 anos, 57,4% concluíram o ensino médio, mas esse percentual cai para 51% entre pretos e pardos e atinge quase 65% entre brancos. As regiões Norte e Nordeste apresentam maior dificuldade de acesso a creches para crianças pequenas.
Em avanços positivos, a alfabetização infantil melhorou: em 2016, 45% das crianças estavam alfabetizadas ao final do terceiro ano do ensino fundamental. Em 2025, esse número subiu para 66% ao final do segundo ano. A especialista mencionou o caso do Piauí, que atingiu 77% de alfabetização infantil ao final do segundo ano, como exemplo de que é possível resolver os problemas, mas alertou que o ritmo de avanço precisa ser acelerado.

