O Brasil demonstra amnésia coletiva ao insistir na crença de que o gasto público, por si só, gera prosperidade, ignorando lições históricas sobre produtividade e responsabilidade fiscal. Esse padrão se repete desde a crise financeira inicial da República até o desenvolvimentismo de décadas passadas.
A ilusão de que o Estado deve ser o principal motor do crescimento econômico foi vista na crise financeira dos primeiros anos da República. Na época, o ministro da Fazenda Rui Barbosa estimulou a expansão do crédito e a emissão de moeda para acelerar a industrialização. O resultado foi especulação desenfreada, inflação, empresas fictícias e o colapso da Bolsa do Rio de Janeiro, um exemplo dos riscos de substituir riqueza real por expansão artificial da moeda.
Décadas depois, o desenvolvimentismo do governo Juscelino Kubitschek promoveu grandes obras, como Brasília. Contudo, essa visão foi financiada com desequilíbrios fiscais e inflação crescente, cujos efeitos contribuíram para a instabilidade que culminou na ruptura institucional de 1964. Intelectuais da época analisaram o período como uma sucessão de devaneios econômicos.
A história recomenda prudência contra a tentação de criar prosperidade por decreto ou financiá-la com endividamento. Quando o voluntarismo político substitui a responsabilidade fiscal e a eficiência econômica, os resultados são previsíveis: inflação, perda de confiança e empobrecimento da sociedade. Os custos desses equívocos são pagos pelos contribuintes.

