Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em cerca de três anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil ultrapassará o de crianças e adolescentes com até 14 anos. A mudança demográfica exige adaptações na economia e no mercado de trabalho.
O envelhecimento populacional gera desafios, como a demanda crescente por aposentadorias e a necessidade de aumentar a produtividade. Analistas apontam que o mercado de trabalho será o setor onde a transformação deve ocorrer. O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE, afirmou que este é um marco, pois será a primeira vez que o contingente de idosos superará o de jovens.
As estimativas do IBGE preveem que o grupo de 60 anos ou mais alcance 40,1 milhões em 2029, superando os 39,2 milhões previstos para a faixa etária de 0 a 14 anos. Leonardo Rolim, consultor da Câmara dos Deputados, declarou que o envelhecimento acelerado ameaça a sustentabilidade do modelo previdenciário brasileiro de repartição solidária.
A pressão fiscal é um ponto central. O Brasil gasta atualmente 8,26% do Produto Interno Bruto (PIB) com o financiamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Projeções do Ministério da Fazenda indicam que, sem mudanças, a despesa do RGPS pode consumir 13,26% do PIB em 2070, com déficit previsto de R$ 91,4 bilhões.
Contudo, especialistas defendem que a longevidade pode gerar benefícios. Dados do IBGE mostram que, em 2024, 1 a cada 4 pessoas com 60 anos ou mais estava ocupada no país. Rogério Nagamine, pesquisador, comentou que a participação dos mais velhos no mercado pode trazer ganhos econômicos e sociais.


