A ampliação do cabo submarino EllaLink, parte de um investimento de 260,8 milhões de euros da União Europeia, visa fortalecer a infraestrutura digital brasileira. O projeto, que liga Portugal a Fortaleza, busca reduzir a dependência do país das rotas de transmissão de dados que passam pelos Estados Unidos.
Segundo Gustavo Bonato Abrão, especialista em tecnologia, a iniciativa integra uma estratégia europeia para ampliar sua presença tecnológica no Brasil. O EllaLink foi o primeiro cabo a conectar diretamente Brasil e Europa, eliminando a necessidade de o tráfego de dados entre os continentes passar por território americano. Abrão explicou que a conexão direta oferece a menor latência de mercado.
A estratégia europeia também possui um viés geopolítico. A União Europeia busca contornar os Estados Unidos por questões de interceptação de dados, dado que 63% da capacidade brasileira de transmissão depende de uma única rota. Além disso, a Europa tem interesse em minerais críticos e energia renovável no Brasil.
Os ganhos tecnológicos afetarão setores como bancos digitais, pesquisa científica e inteligência artificial, permitindo infraestrutura mais rápida. O especialista afirmou que os efeitos para a população devem ocorrer de forma gradual, em um horizonte de quatro a cinco anos, período necessário para a implantação dos investimentos.

